De onde vem a perda ao fundir ouro? Na maioria das vezes o primeiro suspeito é o forno. Mas a perda real não vem sempre dele. Como você aquece o ouro, quanto controle tem sobre a temperatura e o que acontece com o metal durante a fundição importam pelo menos tanto quanto o próprio forno.
De onde vem a perda ao fundir ouro?
Na joalheria o ouro e outros metais preciosos são fundidos várias vezes, então perdas que parecem pequenas podem criar uma diferença séria ao longo do tempo.
Por isso, ao escolher um forno para fundir ouro não basta perguntar “quantos quilos ele funde?”. Velocidade de fundição, controle de temperatura, forma de uso, capacidade e risco de perda precisam ser avaliados juntos.
Por que ocorre perda na fundição?
A perda que acontece durante a fundição pode ter várias causas diferentes:
- Superaquecimento: quando a liga aquece mais do que o necessário, metais como o zinco podem se perder. Isso pode alterar tanto o peso total quanto o teor da liga.
- Oxidação: sobretudo na fundição com chama aberta, o metal tem mais contato com o ar. Alguns metais da liga podem oxidar e formar escória.
- Refundição: quando sucata e restos de fundição são refundidos repetidamente, parte dos metais da liga pode se perder.
- Perdas no cadinho e na fundição: num cadinho sujo ou rachado pode ficar metal. Respingos durante o vazamento e o metal que fica no cadinho também somam à perda total.
Por isso a pergunta “em qual forno a perda é menor?” não tem uma resposta única.
Quais fornos para fundir ouro são usados na joalheria?
Os fornos para fundir ouro usados nas oficinas de joias funcionam de formas bem diferentes. Estas são as opções mais comuns:
- Fundir ouro com maçarico
- Forno de cadinho a gás
- Forno elétrico de resistência
- Forno de fundição por indução
- Sistemas de indução a vácuo ou com gás inerte
Vamos ver as diferenças entre eles.
1. Fundir ouro com maçarico
O maçarico é usado há muitos anos nas oficinas de joias e é prático especialmente para quantidades pequenas.
Pode-se trabalhar com propano-oxigênio, gás natural-oxigênio ou sistemas com gerador de hidrogênio. É uma escolha comum para fundir alguns gramas de ouro, para consertos e para fundições pequenas.
A maior vantagem é a simplicidade. Por outro lado, o controle da temperatura depende muito da experiência do ourives.
Como a chama toca o metal diretamente, o risco de oxidação e de superaquecimento pode aumentar. Quanto maior a quantidade, mais trabalhosa fica a fundição.
2. Forno de cadinho a gás
No forno de fundição a gás a chama não aquece o metal diretamente: aquece o cadinho por fora. Ele continua em uso em algumas oficinas que têm instalação de gás e trabalham com quantidades maiores.
Bem ajustado, ele faz o serviço, mas o controle de temperatura não é tão preciso quanto nos sistemas por indução.
Em oficinas fechadas, o uso de gás, os produtos da combustão e a ventilação também precisam ser avaliados separadamente.
3. Forno de fundição elétrico
Quando se fala em “forno de fundição elétrico”, o que costuma haver no mercado são sistemas de resistência.
Nesses sistemas primeiro aquecem as resistências e a câmara do forno. Depois o calor gerado passa para o cadinho e para o metal.
Uma das principais vantagens é funcionar sem chama e permitir ajustar a temperatura por termostato.
Mas há aqui uma diferença importante: o metal não é aquecido diretamente. Primeiro o forno aquece, depois o calor chega ao metal. Por isso o tempo de fundição pode ser mais longo do que nos sistemas por indução.
4. Forno de fundição por indução
O forno de fundição por indução é um dos sistemas que se destacam nas oficinas de joias que fundem com regularidade.
A diferença fundamental é que o metal não é aquecido de fora. Graças ao campo eletromagnético criado pelo sistema de indução, o calor se forma no próprio metal. Assim, diferente dos sistemas clássicos de resistência, não é preciso esperar o forno aquecer.
O que isso significa para o ourives? Fundição mais rápida e um processo mais controlado.
O sistema de indução também movimenta o metal fundido, o que ajuda a liga a se misturar de forma mais homogênea. É uma vantagem importante sobretudo ao preparar ligas com metais diferentes.
Hoje existem também mini fornos de fundição por indução de bancada, que funcionam em 220V e foram feitos para oficinas pequenas. O modelo NRT de 1,5 kg funciona em 220V e oferece ajuste digital de temperatura entre 950 e 1250 °C.
5. Máquinas de fundição e vazamento a vácuo por indução
Nos sistemas a vácuo a fundição por indução é combinada com vácuo ou com uma atmosfera de gás inerte.
Como o metal tem menos contato com o ar, a oxidação e alguns problemas que podem surgir durante o vazamento podem ser reduzidos.
Esses sistemas são projetados principalmente para produção em série e para processos de fundição mais controlados.
Para uma oficina de joias pequena, que só quer fundir algumas centenas de gramas ou poucos quilos de metal, um sistema assim pode ser um investimento maior do que o necessário.
Comparação dos tipos de fornos para fundir ouro
| Método | Velocidade de fundição | Controle de temperatura | Risco de perda | Para quem serve? |
|---|---|---|---|---|
| Maçarico | Rápido em pouca quantidade | Depende do ourives | Mais alto | Consertos e trabalhos pequenos |
| Forno de cadinho a gás | Média | Limitado | Médio a alto | Lotes grandes |
| Elétrico de resistência | Mais lenta | Termostato | Médio | Oficinas pequenas com orçamento apertado |
| Indução | Rápida | Digital | Mais controlado | Fundição regular e ligas |
| Indução a vácuo | Rápida | Preciso | Baixo | Produção de fundição em série |
Qual forno de fundição serve melhor ao ourives?
Na verdade a resposta depende da sua forma de trabalhar.
- Se você funde ouro algumas vezes por mês e em pouca quantidade, um maçarico pode resolver.
- Se funde todos os dias mas quer manter baixo o investimento inicial, um forno elétrico de resistência pode ser considerado. Mas é preciso contar com o tempo de espera que a fundição exige.
- Se funde mais de uma vez por dia, prepara ligas de ouro ou prata e quer um processo mais controlado, um mini forno de fundição por indução oferece outra rotina de trabalho.
- E se faz produção de fundição em série, o que deve avaliar são os sistemas de fundição a vácuo por indução.
Mini forno de fundição por indução NRT
Desenvolvido para oficinas de joias pequenas e médias, o mini forno de fundição por indução NRT foi projetado para fundir metais como ouro, prata e cobre.
O modelo de 1,5 kg funciona em 220V. A temperatura pode ser ajustada digitalmente entre 950 e 1250 °C e a fundição leva cerca de 5–7 minutos. Por ser compacto, pode ser usado sobre a bancada.
Para oficinas que precisam de mais capacidade, a NRT também tem as opções de 2 kg e 5 kg. O modelo de 2 kg funciona em 220V e chega até 1450 °C.
Vamos definir juntos qual capacidade combina com a rotina de fundição da sua oficina.
Perguntas frequentes
Conclusão
A escolha de um forno para fundir ouro não se reduz a uma única “melhor” resposta. Uma oficina que funde algumas vezes por mês e outra que prepara ligas todos os dias não têm a mesma necessidade; por isso a decisão deve partir da frequência de trabalho e do controle de temperatura necessário antes de partir da capacidade.
Qualquer que seja o forno escolhido, conferir o teor antes e depois da fundição continua sendo a forma mais confiável de acompanhar a perda.
Vamos definir juntos qual forno combina com a rotina de fundição da sua oficina.
Fale com a genteVoltar a todas as notícias | Ver o mini forno de fundição por indução