Uma barra de ouro pode ter o peso certo, dimensões idênticas às da verdadeira e trazer marcas de aparência autêntica. Ainda assim, pode ser falsa.
A fraude do tungstênio — principalmente em barras de ouro de alto valor — é um dos assuntos mais comentados entre investidores. A quantidade de desinformação circulando na internet torna tudo ainda mais confuso. Neste artigo, separamos o joio do trigo e explicamos o que você realmente precisa saber.
Por que o tungstênio é usado na falsificação de ouro?
Os falsificadores querem reproduzir o peso e a aparência do ouro verdadeiro da forma mais fiel possível. É aí que entra o tungstênio.
O tungstênio é um dos poucos metais com densidade muito próxima à do ouro. Isso permite produzir barras falsas que se aproximam bastante de uma barra verdadeira tanto no peso quanto nas dimensões externas.
Sobretudo em barras de ouro maiores, inserir um núcleo de tungstênio e revestir o exterior com ouro verdadeiro é um método de fraude já documentado em vários países.
O tungstênio pode mesmo ser misturado ao ouro?
Resposta curta: Não.
A expressão “tungstênio misturado ao ouro”, comum na internet, é tecnicamente incorreta. O motivo é que os dois metais têm pontos de fusão muito diferentes:
Fundir e misturar os dois em uma liga homogênea é praticamente impossível. O método de fraude real é outro: os falsificadores inserem um núcleo de tungstênio dentro da barra de ouro, ou revestem um corpo de tungstênio com ouro verdadeiro. Como a superfície externa é ouro legítimo, a falsificação pode ser muito difícil de identificar à primeira vista.
Pesar o ouro é suficiente?
Infelizmente, não. No passado, muita gente conferia o peso do ouro para saber se era verdadeiro. Mas, como a densidade do tungstênio é muito próxima à do ouro, a pesagem sozinha não oferece uma verificação confiável.
Os analisadores XRF detectam o tungstênio?
A resposta é sim e não.
Os analisadores XRF medem em segundos, e com alta precisão, a composição elementar da superfície de uma barra de ouro. Isso permite determinar rapidamente o teor do ouro, a composição da liga e o conteúdo da superfície. Por isso, os aparelhos XRF são muito usados por joalheiros, refinarias e empresas do setor de metais preciosos.
Os analisadores XRF são excelentes para determinar o teor do ouro e a composição da superfície. Para barras de ouro de alto valor, porém, usar o XRF junto com outros métodos de verificação é a abordagem mais confiável.
Que métodos são usados para identificar ouro falso?
Quando é preciso verificar a estrutura interna, combinam-se diferentes métodos de análise:
Retira-se uma pequena amostra da barra para inspecionar diretamente a estrutura interna. É o método mais conclusivo quando a suspeita é alta.
Usa ondas sonoras para examinar a estrutura interna da barra sem destruí-la.
Analisa as propriedades de condutividade do metal para revelar discrepâncias.
A opção mais completa e conclusiva quando necessário.
Combinar vários métodos gera resultados bem mais confiáveis na detecção de ouro falsificado.
A que prestar atenção ao comprar ouro
A proteção mais eficaz contra fraudes começa no momento da compra:
- Compre de joalherias de boa reputação ou revendedores autorizados.
- Desconfie de produtos com preço muito abaixo do valor de mercado.
- Peça uma análise profissional em investimentos de grande valor.
- Na dúvida, não confie apenas na inspeção visual ou na pesagem.
Mesmo essas precauções simples evitam muitas tentativas de fraude.
Mitos comuns sobre a fraude do ouro
Circula muita desinformação na internet sobre o ouro falso com núcleo de tungstênio. Estes são os equívocos mais difundidos:
Conclusão
A fraude do tungstênio é um risco real — mas não tão disseminada quanto a internet às vezes sugere. Esse método, mais comum em barras de ouro maiores, pode ser detectado quando se aplicam as técnicas analíticas corretas.
Ao investir em ouro, comprar de revendedores de boa reputação é sempre a primeira linha de defesa. Em barras de alto valor, especialmente, o uso de métodos analíticos profissionais reduz bastante o risco.
Hoje, os analisadores XRF, os sistemas de ensaio por ultrassom e outras tecnologias analíticas modernas tornam a autenticação do ouro mais confiável do que nunca. Para joalheiros, refinarias e empresas do setor de metais preciosos, contar com o equipamento analítico certo é essencial para negociar com segurança e manter a confiança do cliente.